11 janeiro, 2009

MAR / TODAS AS CANÇÕES QUE EU PUDER COMPOR


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Olá a todos....
Hoje trago dois textos que não são de minha autoria. O primeiro é entitulado "Mar" e pertence a Marco Hruschka, um grande amigo. O segundo texto, uma bela música que virou poesia e será publicada este mês é entitulada "Todas as canções que eu puder compor" de João Paulo Bueno. Espero que gostem. Abraços!


MAR

   Marco Hruschka                                                                                                                            

Acordei com a cabeça perplexa, pesada, perturbada...

Descobri que o amor não é para mim, fiz algo que os deuses não gostaram e resolveram me castigar com um coração funesto, frívolo e fútil...

            Levo a vida como uma canção triste, com melodia magoada, nota desapaixonada e letra desesperada...

            Desesperadoramente grito por socorro... que desça um anjo munido de cura pura para tratar desse peito ferido pelo tempo e pelo universo... e pelas musas...

            As ondas coléricas da existência arrastaram para o fundo toda a fé que nunca foi minha, a esperança que pairava sozinha e o amor que outrora eu tinha...

            Oxalá a tormenta passe e o mar de lama se transforme em puro leite... que chova santo azeite para ungir minha alma indolente...

            Mas as lembranças são trevas... tempestades... trovões... que agitam meus pensamentos paralisando meu ser e meu não-ser. Oh Mar! Venha com vossa magnânima ressaca e leve convosco todo meu passado e meu presente, deixando à praia uma fagulha de futuro que ressuscite em mim o filho da outra vida, que eu seja fogo, que eu seja fênix...

            Mar fechado... nefasto, infausto, infalível...

            Estou fadado a essa vida amargurada, angustiada e mal-tratada.

            Sonho em ser o Mar... cercado de todas as baías, de todas as praias e cercanias; movimentar-me pelo mundo, do nada oriundo, nunca moribundo, refugiar-me no profundo... gozo mais que abundo...

            Mas a quimera é implacável, quando acaba, resta-nos o irrealizável. Felizmente a vida é sacrificável...

            Sou o Mar...

            Aquele que flutua, que tem a face crua, que a luz do sol recua, eu sou o Mar... o Mar da Lua...



Todas as canções que eu puder compor

 João Paulo Bueno

Todas as horas que o relógio pode me dar

São tuas, até o dia acabar.

Todos os sonhos que eu puder sonhar

São teus, enquanto a noite durar.

 

Todas as folhas que o vento consiga trazer

São lembranças pra não te esquecer

Todos romances que a vida puder escrever

São nossos, enquanto o poeta viver

 

Por que assim eu posso ser feliz

Por que assim você vive dentro de mim

 

Todas as rosas que eu puder roubar

São tuas, até o inverno chegar.

Todos os beijos que eu puder beijar

São teus até o amor acabar

 

Todos os medos acabam por partir

Quando eu vejo, teus lábios a sorrir

Todas as canções que eu puder compor

São tuas enquanto houver amor


Um comentário:

Marco Hruschka disse...

Deveras uma bela canção que, ao mesmo tempo, não deixa de ser poesia...
Obrigado pela publicação! :D