12 maio, 2009


Olá pessoal


Há tempos não posto um poema. Esse escrevi recentemente, espero que gostem. Obrigado pelos comentários no conto "Tribos", fico contente de partilhar os mesmos pensamentos com outras pessoas, em saber que ainda há esperança e cultura nessa cidade ilhada pela futilidade. Esse poema que posto hoje, "Vida Oblíqua", vai mais além, fala da sociedade e do mal que assola o homem moderno. Au revoir!


Vida Oblíqua

Luigi Ricciardi

Pessoas que percorrem suas veredas, direções,

No concreto, sentindo-se ocos e mecânicos;

Espalhados nas esquinas, nas placas, nas alienações,

Só se vê o frio maciço dos duros cimentos.


Melancólica sinfonia do fim de tarde,

Notas tocadas nos ardores da tristeza,

Conjunto esculpido em partitura que arde,

Trazem o sopro solitário da crua incerteza.


Ele pensava inconcebível sentir-nos isolados

Na agitação das buzinas, dos gritos selvagens,

Mas ao cruzar com sentimentos velados

Vê pessoas que não possuem imagens.


São rostos embaçados, indecifráveis,

Sem expressões, sem individualidades,

Pessoas que, ao consumismo, são contáveis,

Fora do contexto, meras banalidades.


Que mal existencial fortemente nos assola?

Gente sem vida, sem ritmo, sem cadência,

Que aflição, doença, calamidade nos degola?

Vejo a humanidade perdida e sem essência.


O homem inutilizado dentro de si mesmo,

Não se comunica, murmura incompreensão,

Vive às sombras, caminha sempre a esmo,

Padece sempre, nunca há uma segunda direção.


E quando a dor de viver não mais suporta,

Debaixo do carro dessa vida o homem se aborta,

Para um outro campo sua alma se transporta,

Como um protesto contra essa sociedade morta.

4 comentários:

Laís Carla disse...

Estou arrepiada até agora!
Que essência... Que verdade...!
É exatamente como eu me sinto diante dessa maldita sociedade, baseada em regras de conduta e mecanicamente forçadas ao consumismo. Eis o legado do Capitalismo, nossas vidas por materiais sem valor espiritual e moral... É triste pensar num mundo assim, pior ainda é aceitar que ele seja real...

PArabéns mais uma vez e sempre!!!!!!

Luigi Ricciardi disse...

Isso mesmo, Laís. Se fazemos parte da massa consumista, temos valor; do contrário, somos meras figuras sem rosto e sem expressão!

Obrigado, bjos!

Adriana disse...

Muito bom mesmo...
Sabe que eu estava estudando isto há pouco tempo, no meu curso de teologia?
Como as pessoas são hoje, anônimas, e cada vez mais subjetivas, mas ao mesmo tempo carentes do calor humano de pessoas que se conheciam, existente há um tempo atrás.
Adorei o poema, forte e simples.Parabéns!

Beijos!

Izabel disse...

A beleza de viver está exatamente em questionar e ser diferente do que o sistema nos impõe. É claro que às vezes nos sentimos verdadeiros ETS e acabamos nos questionando se estamos no caminho certo em sermos humanamente corretos. Que bom saber que não estou ficando doida sozinha e que mais doido é quem se diz normal, seguido da grande massa!É bom falar por sua poesia!
Obrigada!Bjus!