31 agosto, 2009

Escopo


Escopo

Até certo tempo eu era um alguém que queria eternizar as coisas.

O fim dos relacionamentos, amizades, empregos, fases, eram-me inaceitáveis.

Porque em mim tudo deveria ser eterno, durar sempre, não se perder nunca.

A dor de restabelecer tudo após um fim tornava tudo difícil.

Só mudei quando realmente percebi a finitude das coisas e da vida.

Vi que o fim das coisas precisa chegar, mesmo em dores.

Os anos se foram passando e o acúmulo de fins e incertezas subiu aos tetos.

Hoje entendo que a grande parte das coisas são criadas para não durar muito.

Notei também que, apesar de ter quisto o contrário, não sou um homem de coisas eternas.

Sinto por vezes vontade de deixar as coisas pela metade, outras vezes as abandono no inicio.

Outras vezes vou até o fim delas porque, sim, tudo tem seu acorde final.

O “para sempre” já me assusta. Descobri o novo, a não-rotina, e isso agora é a essência.

A cada dia me sou novo.

A cada semana me modelo.

A cada mês me reconstruo.

A cada ano, renasço.

Mudo de opinião, de pensamento, de vontades.

Não sou influenciável, não no seu estado pejorativo.

Contato-me com as forças, visões e sentidos

Das coisas que me cercam.

Daqueles que já viveram antes de mim.

Das notas, das palavras, do ar da época, e do passado.

E a vida assim vai somando páginas na coletânea da biblioteca universal.

E sinto-me livre, aberto a possibilidades.

Aproveitando cada momento na sua plenitude.

Sabendo que amanhã pode não se haver mais.

Até que a última canetada seja dada na última página da história.

Que por si não é estanque,

Mas conta o que fui, o que sou, e o que serei.

Em constante transmutação.

Esperando que a derradeira gota de tinta demore sempre a chegar!

2 comentários:

Camila Peliçon disse...

Magnífica expressão de um sentimento que nos acompanha pela vida inteira...
Incerteza do eterno ou do novo, ambos nos assustam, cabe a nós escolher o caminho, o modo de viver...
Acreditar e seguir apenas um ideal, como por exemplo ser feliz, isso é a eternidade, o resto é novidade, é reciclagem, é aprender, crescer, e morrer...

Erés Codó disse...

Great! very good. Nobel prize is a time question. O sentimento do mundo que move o universo e insinua o infinto.