16 janeiro, 2010

CAIM



Há 15 minutos terminei a leitura de "Caim" de José Saramago. Todos sabem minha admiração pelo escritor, ao qual dediquei dois trabalhos importantes em minha gradução e dedicarei meu mestrado. Todos sabem também de meus questionamentos a respeito da biblia e da igreja. O livro reflete o que eu sentia e posto agora um comentário que encontrei em um blog que manifesta exatamente o que penso.

O texto abaixo pertence ao blog: http://lagartinhadotcom.blogspot.com/. Visitem-no quando puderem. Abraços fraternos!




CAIM, SARAMAGO E DEUS

Muita tinta tem corrido sobre o último livro de Saramago, Caim. Como só gosto de falar depois de conhecer, depressa "cravei" a oferta do livro, que finalmente me chegou à mesinha de apoio da casa de banho, local onde habitualmente começo a leitura de qualquer obra.

Tenho por hábito consultar as fontes utilizadas nos livros que leio para ver até que ponto a ficção se mistura com a realidade, pelo que neste caso, juntamente com Caim, tenho a Bíblia marcada com post it's em sítios estratégicos...

Na minha ignorância que já vem de longe, uma vez que não tenho qualquer cultura religiosa, chego à conclusão que a visão que Saramago tem do início da Vida, é mais ou menos a mesma que a minha, ou a bem dizer será mais ao contrário, já que Saramago é prémio Nobel da literatura e eu não sou ninguém, mas quero com isto dizer, que não me choca rigorosamente nada do que li até agora, muito antes pelo contrário...Abraão teve o desplante de agarrar no filho e estava prestes a sacrificar o seu rebento em nome de uma obediência servil a um ser que nem sequer tinha visto...logo, Deus, supostamente o lado bom da coisa, leva um pai ao extremo independentemente de o travar a segundos de finalizar o acto aberrante de matar o próprio filho!

O ponto da questão, quanto a mim, na obra de Saramago, é o facto de um homem de uma certa idade ter adquirido o direito de questionar de uma maneira muito particular, quais as intenções do Sr. Deus quando leva os comuns mortais a ter determinadas atitudes que alguns justificam com o "foi a vontade de Deus".

Quando tenho conhecimento que uma boa mãe, com filhos pequenos, morre de cancro, ou uma criança morre por incúria do médico, um trabalhador da construção civil cai do telhado de uma moradia e morre, quantas vezes já não questionei os desígnios de Deus? Só não tenho a experiência literária de um Saramago, ou a sua independência ideológica, para poder fazer-me ouvir e principalmente ser respondida...

Quando li o Evangelho segundo Jesus Cristo, para mal dos meus pecados dei por mim a ler o Antigo e o Novo Testamento de fio a pavio. A bem da verdade, fiquei estupefacta com o que li...ou era de facto muito estúpida, ou Deus era mesmo bera...mas uma coisa ficou ciente na minha cabecinha: Jesus foi um reaccionário muito à frente do seu tempo e não houve até hoje ninguém que tenha conseguido manifs tão espontâneas como Jesus conseguiu no seu tempo...claro que tinham que lhe "limpar o sarampo"!

Não sei realmente se Deus existe, mas se existe, segundo a Bíblia, ou pelo menos pela minha interpretação é um cadinho vingativo e rancoroso, mas no que diz respeito a Jesus, ai sobre Jesus, a história é outra: muitos seguissem os seus ensinamentos e o mundo era muito melhor!

Não me levem a mal, pois como me considero um pouco estúpida, admito que a minha leitura das Escrituras esteja completamente errada e não tenha percebido nada da mensagem, mas se Saramago entende a Bíblia como um "livro de maus costumes", eu tenho sempre entendido Deus como o "bicho Papão" das criancinhas e não só...

Só não percebo é onde Saramago ofende seja quem for...
O que escreve não é lei, não representa nada a não ser as suas ideias e as de quem as partilha, só lê quem quer, e no meio disto tudo, provoca debates interessantes e talvez alguém me explique principalmente o que leva um pai a sacrificar um filho em nome ...do quê mesmo?

Um comentário:

lagartinha disse...

Obrigada. Sinto-me honrada.