30 janeiro, 2009

CINEMA - DE OLHOS BEM FECHADOS



Olá pessoal. Bom, os amigos mais próximos já sabem que nos últimos tempos venho me dedicando a ver vários filmes que sempre desejei ver mas por razões de tempo não os tinha visto. E gostei tanto da coisa que acabei começando a escrever alguns comentários sobre cinema. Ao invés de publicar um texto literário meu, hoje publico aqui no blog um dos comentários que escrevi no site www.cineplayers.com. É sobre o filme "De Olhos Bem Fechados" de Stanley Kubrick tendo como protagonistas Nicole Kidman e Tom Cruise. Para quem quiser ler os outros comentários é só acessar o link: http://www.cineplayers.com/usuario.php?luismaringa
Abraços!

De Olhos Bem Fechados
(Eyes Wide Shut, 1999)

Por Luís Cláudio Ferreira Silva
19/01/2009

Já virou natural, na maioria das resenhas, elogiar Kubrick e colocá-lo quase que como um quarto elemento da fechada santíssima trindade do cinema. Mas já se avisa de início, sendo clichê, aqui se vai exaltar um dos maiores gênios do cinema no seu filme mais desafiador de todos: De Olhos Bem Fechados. Afinal, temas desafiadores sempre foram pratos que as mãos de Kubrick sempre souberam fazer muito bem. O filme conta a história de Bill (Tom Cruise) e Alice (Nicole Kidman), que formam um casal aparentemente normal. Certa noite, deixam a filha em casa com a babá e vão a uma festa. Lá, Alice é flertada por um senhor e Bill sofre investidas de duas lindas modelos. Em casa, no dia seguinte, em sua intimidade, o casal conversa sobre a festa do dia anterior. Ela o questiona a respeito das duas mulheres que o acompanhavam; ele questiona a respeito do homem que dançava com ela. A partir daí eles entram em uma conversa que sustenta o ideal do filme: sexo. Alice afirma que no ano anterior sentiu vontade de transar com um funcionário da marinha, que estava almoçando no mesmo restaurante em que eles. Bill fica estarrecido com a confissão. Mas não tem tempo de brigar, um dos seus pacientes morre e ele vai dar apoio à família.
Chegando lá, Bill é beijado pela filha do seu paciente, e ela confessa que o ama. Duas bombas para Bill no mesmo dia. Ele consegue se desvencilhar do problema e passa a caminhar sozinho pelas ruas para esquecer o ocorrido. Mas a imagem da mulher transando com outra homem atormenta-lhe, e vai vir-lhe à mente durante praticamente todo o filme. Andando pelas ruas, ele encontra uma prostituta que o convence de ir até o seu quarto, mas acabam não fazendo amor, pois Bill sente o peso da consciência na hora em que sua mulher liga em seu celular. Ele volta então às ruas para caminhar e, passando em frente a um bar, resolve entrar por ver o cartaz de seu amigo pianista, Nick, que estaria se apresentando ali naquela noite. Depois do show eles conversam por algum tempo. Nick tem outro trabalho naquela noite: tocar, como já há faz algum tempo, para um grupo de pessoas que não se identificam, sempre em lugares diferentes, os quais ele sempre acaba por conhecer uma hora antes do início do show. Ele toca vendado e não sabe quem são as pessoas, e para entrar ele precisa de senha. Mas em uma dessas noites, Nick diz que conseguiu ver algumas coisas, e se tratava de mulheres e sexo. Durante a conversa entre os dois, o contratante não identificado liga e Nick anota a senha em um pedaço de papel. Bill, curioso, pega a senha e, já tomado pelo desejo e curiosidade, convence o amigo a dar-lhe o lugar do encontro. Bill chega e encontra uma das sociedades secretas mais estranhas e misteriosas já vistas no cinema. Mas, pára-se por aqui. Seria melhor não dar mais detalhes sobre a narrativa para que quem resolva ver o filme não se sinta desanimado. Porém, o fio narrativo, a trama, em Kubrick, muitas vezes pode não ser o mais importante na obra. Os toques e detalhes técnicos são de um dedo cinematográfico impar. 
Os diálogos e as cenas nos filmes de Kubrick têm um caráter muito natural. As cenas não são forçadas, há uma naturalidade que endossa uma proximidade com o cotidiano que não é vista em praticamente nenhum outro cineasta. Pode até ser paradoxal, mas apesar dessa naturalidade, há um quê de estranheza na maior parte das cenas, o que sempre nos leva para o outro lado: ninguém faz isso como Kubrick. 
Outra característica peculiar nos filmes kubrickianos é a posição da câmera. Não se tem um close muito forte, a câmera não se mantém nem tão distante nem tão próxima das personagens. Isso faz com que a imagem possa captar as expressões dos atores bem como a totalidade da cena, afirmando assim seu caráter natural e peculiar. Veja a cena em que Alice é flertada por um desconhecido em uma festa. Os dois conversam, e se pode ter, além dos sons ambientes (banda tocando, as conversas da multidão), as expressões deles assim como a cena toda: as velas por trás, a mesa, o andar dos outros convidados. Dificilmente se consegue captar todos esses elementos em apenas uma única cena, mas Kubrick consegue. Em muitas cenas, ele prefere o movimento ao corte, capta bem os movimentos das personagens (a mudança de foco no personagem que está sentado para aquele que está em pé; a câmera seguindo os passos do ator pelo corredor; etc.) e, como já dito, mantendo uma distância onde se pode captar todos os elementos da cena.
O cineasta também adora mostrar o lado mais animal do ser humano. Já se viu isso em 2001: Uma Odisséia no Espaço e também em Laranja Mecânica, só para citar duas de suas obras mais conhecidas. Na primeira cena de De Olhos Bem Fechados se vê Alice sentada no banheiro fazendo suas necessidades, e depois se limpando. Lembre-se disso: o ser humano nos filmes Kubrick é sempre mais animalesco do que nos outros. Outra grande característica é que ele não se preocupa em ocultar ou amenizar fatos ou cenas. Na mesma festa em que sua esposa é flertada por um desconhecido, Bill é obrigado a socorrer uma moça que acabara de se drogar. Antes de Bill entrar na sala, vemos a moça totalmente nua e Ziegler, o dono da festa, se vestindo, ainda seminu. Durante todo o atendimento, a paciente continua nua. Outros fatos são tão verossímeis que nos parecem levar a uma vida comum: Alice no banheiro, Alice se vestindo, Alice passando desodorante etc. Mais uma vez o ser humano como ele é.
Em se tratando de animalidade, pode-se perceber a áurea sexual e sensual que envolve as duas personagens principais. Ambos chegam à festa e, após beberem, acabam tendo conversas bem interessantes no que se trata da sensualidade. Alice dança com o desconhecido que diz que as mulheres só se casavam para poderem fazer sexo com os homens. Bill conversa com duas moças que querem levá-lo “ao fim do arco-íris” dando a entender claramente o que querem dele. Há de se lembrar que o segundo grande instinto do ser humano e de qualquer animal é a reprodução. No ser humano isso ganha um toque a mais: o sentido de prazer, além daquele da continuação da espécie. E essa aura é retratada em torno das personagens. Eis o homem animal em Kubrick. O filme tenta desconstruir todos os tabus sobre sexo. Bill é autoconfiante e se diz fiel. Alice, em uma conversa com Bill acaba por dizer, indiretamente, todas as vontades femininas. Não é só o homem que tem o desejo animal pelo sexo. A mulher também tem, e nem sempre procura a segurança e o conforto em quem confiam para aí terem uma relação sexual. O filme pode até ser usado como uma bandeira do feminismo, que visa desconstruir a tradição patriarcalista e falocêntrica de que o homem é o animal e a mulher é a indefesa, de que o homem é o que destrói e a mulher é a que se defende, de que o homem é o que faz sexo e a mulher é a que ama. Através da discussão entre o casal, Kubrick nos mostra que a mulher, também sendo animal, é como o homem: também sente desejos, tem taras e vontades, e o que separa os sexos é apenas o nome dado a eles pelo formato da genitália, e nada mais. Ambos são iguais. 
Tudo gira em torno de relações amorosas e sexo: a filha de seu paciente que o beija na noite da morte de seu pai, o casal se beijando na rua, os “malucos” da gang que o chamam de gay e fazem inúmeras referências às genitálias, o empregado gay do hotel que fica tentando seduzir Bill, as brincadeiras sexuais de dois orientais com a filha do proprietário de uma loja de fantasias, dentro de seu próprio estabelecimento etc. Além da sensualidade, Kubrick explora bem a nudez. São incontáveis as cenas em que Alice aparece nua, sem contar nas pacientes atendidas por Bill em seu consultório; sem contar na bizarra reunião de pessoas que usam máscaras e transam em frente umas às outras em que Bill acaba por ir, por curiosidade, como bisbilhoteiro. 
E seu toque de estranheza e, porque não, medo é dado na trilha sonora que acompanha o protagonista em meio ao perigo que enfrenta ao visitar a sociedade secreta. E essa estranheza é corroborada com as vestimentas dos freqüentadores desta seita secreta: máscaras. Cada uma com uma expressão diferente, mas todas, sem exceção, expressam medo.
Um filme fantástico, o último de um dos maiores gênios que o cinema já produziu. Kubrick novamente desafiou às leis (se é que elas existem) do cinema e das interpretações. Tom Cruise e Nicole Kidman estão ótimos no filme, conseguem mostrar um casal que mesmo se amando sofrem problemas. E Cruise, mostra esse ser humano amedrontado, mas movido pela curiosidade e por sexo. Porém, em um filme como esse, a estrela maior acaba por ser mesmo Kubrick, que faz um longa que mostra o lado animal e ao mesmo tempo sombrio do ser humano, que, apesar da fortuna, é mostrado como um animal, que tens desejos e instintos como todos os outros seres da natureza, e que é capaz de más atitudes quando seu íntimo, seus desejos, seus prazeres podem ser revelados a outrem. Vem também mostrar que o ser humano, apesar de amar e ser feliz com uma pessoa, também deseja sexualmente outras, desconstruindo assim a noção dos valores morais-religiosos de nossa época. Parabéns novamente para Kubrick, pena que já tenha nos deixado!


Por 
Luís Cláudio Ferreira Silva
19/01/2009

23 janeiro, 2009

O Vôo do Colibri


Olá pessoal, quero agradecer quem ainda vem aqui ler os meus textos, e obrigado pelos comentários, sejam eles feitos aqui pelo blog, ou via orkut, ou via msn.

Essa semana assisti a um filme excepcional chamado "O Curioso Caso de Benjamin Button". Quem puder assistir a esse filme, por favor, vá ao cinema. Ele recebeu 13 indicações ao oscar deste ano. É uma história maravilhosa!

Hoje posto um poema que escrevi em conjunto com meu amigo Marcho Hruschka. Espero que gostem. Abraços!!!

O Vôo do Colibri

 

Desolada e infeliz com minha vida

Coloco-me debaixo da água fria

A crer que nada mais me restaria

Pois em um ano nunca fora ouvida

 

Saio do banho toda esbaforida

Despejando arsenal de versaria

E no ápice total de alarvaria

Vejo-me no espelho refletida

 

Noto agora a beleza desta imagem

A rorejar aljôfar prateado

Sinto o meu coração descompassado

Pulsando a despertar alma selvagem          

 

Tez eriçada, rosto sem maquiagem

Ventre livre e o corpo embriagado

Doces curvas, regaço perfumado

Pura tentação à libertinagem

 

Num consciente ímpeto de loucura

Atiro-me ao espelho e sugo-me a alma

Dos conceitos me dispo por m’nha palma

Convido-me a gozar desta pintura

 

Com minha amante faço uma aventura

Toque, prazer, deleite que me ensalma

Satisfação perfeita que me acalma

Com meu novo amor sinto-me segura

 

11 janeiro, 2009

TEXTOS NA CÂMARA BRASILEIRA




Bonsoir...

A Câmara Brasileira já disponibilizou online mais dois dos meus textos que serão publicados este mês. A poesia "Se Soubesses que te amo" estará presente no livro "Antologia Brasileira de Poetas Contemporâneos vol. 51" e o conto "Brigadeiro" na "Seleta de Contos de Autores Contemporâneos". Os links estão logo abaixo, ok? Espero que gostem.
Antes de terminar quero apenas comentar que fiquei extremamente satisfeito com a premiação dada pelo Globo de Ouro a Heath Ledger como melhor ator coadjuvante no filme "Batman - O Cavaleiro das Trevas". O prêmio foi realmente merecido. Espero agora que ele leve o Oscar rs. É uma pena ele estar recebendo esses prêmios postumamente.
Abraços!







P.S.: Já que toquei no assunto cinema, pra quem se interessa eu tenho um perfil no site do cineplayers, onde eu dou nota para os filmes e, às vezes, escrevo uma crítica ou outra em relação a alguns filmes. Se tiverem curiosidade entrem nesse link: http://www.cineplayers.com/usuario.php?luismaringa

BISOUS!!!

MAR / TODAS AS CANÇÕES QUE EU PUDER COMPOR


Adicionar imagem
Olá a todos....
Hoje trago dois textos que não são de minha autoria. O primeiro é entitulado "Mar" e pertence a Marco Hruschka, um grande amigo. O segundo texto, uma bela música que virou poesia e será publicada este mês é entitulada "Todas as canções que eu puder compor" de João Paulo Bueno. Espero que gostem. Abraços!


MAR

   Marco Hruschka                                                                                                                            

Acordei com a cabeça perplexa, pesada, perturbada...

Descobri que o amor não é para mim, fiz algo que os deuses não gostaram e resolveram me castigar com um coração funesto, frívolo e fútil...

            Levo a vida como uma canção triste, com melodia magoada, nota desapaixonada e letra desesperada...

            Desesperadoramente grito por socorro... que desça um anjo munido de cura pura para tratar desse peito ferido pelo tempo e pelo universo... e pelas musas...

            As ondas coléricas da existência arrastaram para o fundo toda a fé que nunca foi minha, a esperança que pairava sozinha e o amor que outrora eu tinha...

            Oxalá a tormenta passe e o mar de lama se transforme em puro leite... que chova santo azeite para ungir minha alma indolente...

            Mas as lembranças são trevas... tempestades... trovões... que agitam meus pensamentos paralisando meu ser e meu não-ser. Oh Mar! Venha com vossa magnânima ressaca e leve convosco todo meu passado e meu presente, deixando à praia uma fagulha de futuro que ressuscite em mim o filho da outra vida, que eu seja fogo, que eu seja fênix...

            Mar fechado... nefasto, infausto, infalível...

            Estou fadado a essa vida amargurada, angustiada e mal-tratada.

            Sonho em ser o Mar... cercado de todas as baías, de todas as praias e cercanias; movimentar-me pelo mundo, do nada oriundo, nunca moribundo, refugiar-me no profundo... gozo mais que abundo...

            Mas a quimera é implacável, quando acaba, resta-nos o irrealizável. Felizmente a vida é sacrificável...

            Sou o Mar...

            Aquele que flutua, que tem a face crua, que a luz do sol recua, eu sou o Mar... o Mar da Lua...



Todas as canções que eu puder compor

 João Paulo Bueno

Todas as horas que o relógio pode me dar

São tuas, até o dia acabar.

Todos os sonhos que eu puder sonhar

São teus, enquanto a noite durar.

 

Todas as folhas que o vento consiga trazer

São lembranças pra não te esquecer

Todos romances que a vida puder escrever

São nossos, enquanto o poeta viver

 

Por que assim eu posso ser feliz

Por que assim você vive dentro de mim

 

Todas as rosas que eu puder roubar

São tuas, até o inverno chegar.

Todos os beijos que eu puder beijar

São teus até o amor acabar

 

Todos os medos acabam por partir

Quando eu vejo, teus lábios a sorrir

Todas as canções que eu puder compor

São tuas enquanto houver amor