02 abril, 2009

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Fundir-me, ressequir-me, construir-me no vazio;
Fortificar-me no que é movediço, no que derrete, no que não é firme;
Ser o ponto parado à espera de passagem...

Quero perder-me no sol que transpassa a janela e ver a rua sem movimento
Sentir o que tem de ser sentido, sem mesmo ter sequer um sentido!

Sinto-me a alegria brotada do lumiar dos lábios
Aceso como a vida que nasce todos os dias
Largo-me solto ao jardim, sou-me independente
Acerto-me errando: alvo no tiro, culatro-me!
Só para ser-me milésimamente eu, sem traços de paradigmas

(Contos Inacabados - Luigi Ricciardi)