21 abril, 2011

LIVRO DE CONTOS - SUGESTÕES PARA O TÍTULO



Ainda neste ano de 2011, independentemente é claro (a não ser que algum de vocês, leitores, possa me indicar a alguma grande editora hauaha), publicarei o meu livro de contos. Nele estarão boa parte dos contos que já foram postados aqui e no blog e talvez uma dezena a mais que ainda estão inéditos. Como as leituras dos meus textos até o presente momento se deram em quase cem por cento dos casos via internet, é justo que eu compartilhe com aqueles que visitam meu blog o direito de dar um título à obra. O livro já teve inúmeros títulos, ora um agradando mais, ora outro. Abaixo coloco alguns dentre aqueles que passaram pelas meus pensamentos. Se vocês tiverem alguma sugestão que não está na lista, por favor, escreva um comentário dando a sugestão. Se aceitar uma dessas minhas sugestões, escrevam também nos comentários, por favor. O título escolhido e a data do lançamento do livro eu divulgarei, certamente, aqui no blog.
Obrigado desde já!




Entre Hiatos e Dias Comuns

Sensações

Nestes tempos...

Ausência

Avalanches Urbanas

Urbe Líquida

12 abril, 2011

GUINHO

               Eis um conto antigo, um pouco diferente do jeito que escrevo hoje. Andei relendo textos antigos e encontrei esse. Não quis fazer alterações, embora acredite que eu tenha amadurecido um pouco minha escrita desde então, ou não. Talvez tenha simplesmente seguido por outra direção, abandonado certos conceitos adquirido outros e esquecido alguns que ainda estão preso por um cordão. Enfim, pela suavidade e beleza que me toca quando eu leio ( pois o texto é deveras real), é que resolvi colocá-lo novamente no blog para análises, opiniões, críticas e comentários dos meus amigos que por aqui lembram ou gostam de passar. Boa leitura nessa chuva fina!




GUINHO
Com olhos amedrontados e com coração descompassado é que Guinho chegou a minha casa em um triste e chuvoso domingo. Desamparado e renegado pela antiga tutora, eu o trouxe para casa por pena e incerteza de seu destino. Por conta do frio que castigava nossas paisagens, Guinho veio envolto em pedaços de pano que o semi-protegiam da baixa temperatura. Era farto de pelo, de raça não tão nobre, tinha olhos dourados e tremia congelado. Chegou com a aprovação de todos da casa, mas se viu naufragado em uma praia estrangeira.
     Passou as primeiras noites sobre o tapete de meu quarto, e só adormecia após muito lhe afagar os pelos revoltosos da cabeça, e a dirigir-lhe as palavras por alguns minutos a ninar-lhe. Com o passar dos dias, passou a me reconhecer, a abanar o rabo quando lhe trazia seus quitutes. E, ligeiro, foi reconhecendo o novo lar, os cheiros, inclusive as vozes carinhosas que lhe eram dirigidas. Em uma casa já dominada por outros cães, Guinho passou a ser o centro de todas as atenções, e todos só sabiam agradá-lo e a dirigir-lhe palavras doces. Adquirindo confiança em seu novo habitat, fez suas necessidades sobre um colchão, e aí já imaginas, teve de ser educado, afinal, já se punha em tempo. Chorou muito ao passar a prima noite do outro lado da porta, mas se habituou às intempéries com brevidade. Ao primeiro raiar do sol, tomou contato com os donos do espaço. Os outros cães, no início, desviavam-lhe olhares de desconfiança, enviesados e cismados, mas logo se puseram a diversão, tomando como novo amigo o recém-chegado. Dino era afável como o sol de junho; e Rex, apesar da dureza rochosa ao primeiro contato, era feito trapezista e vivia com gracejos o dia todo. Portanto, não teve Guinho problemas grandes de adaptação, príncipe na nova terra.
     Nem tanto, de início. Existiam outros moradores, os taciturnos do local: os felinos. Os outros já estavam acostumados com os gatos, e esses com aqueles também, então viviam em um espaço igualitário sem se incomodarem. Guinho com toda a sua simpatia, quando viu o primeiro, ignorou os instintos rivais inertes em si, e avançou para brincar com o mesmo. Foi sovado e levado à lona em pouco tempo, e correu uivando de dores se escondendo no primeiro canto escuro que viu. O Encontrei-o com olhar acabrunhado a resmungar sons como uma criança que cai da bicicleta na primeira tentativa. Agachei-me e sussurrei doçuras aos seus ouvidos, ao qual me retribuiu com uma boa lambidela na boca. Feliz ficou, e retomou seu caminho e foi-se deitar.
     Guinho era um levípede nato, aparecia quando menos se esperava, por detrás da porta ou por debaixo do assento, precipitando-se a nos lamber os calcanhares. Mas dessas súbitas aparições ele vinha principalmente para nos chamar a atenção com uma característica que ficou marcada para sempre. Precipitava o corpo para os dois lados, a parte da frente para a esquerda, e a de trás para direita, e vice versa. Nesse jogar de cintura, nasceu uma dança engraçada, marca registrada de sua existência. Outra característica divertida de Guinho aparecia quando assoprávamos seu focinho. Ele punha a cara no chão e tentava tirar com as patas dianteiras o vento por nós soprado. Poderia passar horas fazendo isso e ele continuava a agir da mesma forma, o que levava todos às gargalhadas.
Como todas as crianças ele veio a crescer, entretanto não menos traquinas. Fazia suas necessidades em qualquer lugar, sem se importar com o estrago: plantas, paredes, portas, mesas e onde mais lhe desse a telha. Apanhava, mas não aprendia, quem entenderá os cães, não?
Triste foi em uma manhã o adeus silencioso de Dino bem como a tarde dantesca em que Rex se foi por baixo de uma roda de ônibus. Guinho então, se viu sozinho, sem seus parceiros de festas diárias. Entristeceu-se, procurava os amigos quando, brincando, chamávamos seus nomes.
Porém, o calor humano não deixou que seu coração permanecesse na fria e úmida passagem do sofrimento, ou foi ele que não deixou que nossos corações se esfriassem? Seja qual, Guinho se tornou verdadeiramente um membro, uma ramificação animalesca da família. Se bem que nem tão animal assim, mesmo sendo cão ele parecia entender com um olhar o que se passava internamente conosco. Eu, apenas eu, cheguei a essa conclusão, aproximei-me de tal forma ao canicho, que a relação já me semelhava uma irmandade. Vinha ele sempre com seu dançar sambólico, com seu olhar doce e benévolo, procurando carícias e dando conforto. Quanto tristonho eu estava, Guinho aparecia repentinamente e me fazia rir com seu jeito desastroso de andar. Se não me despertava risos, compreendia o meu mau humor ou meu pensamento longínquo, então se aconchegava no tapete e ficava absorto nos seus próprios pensamentos.
       Diariamente, ao ouvir minha voz pela manhã, ou ao ouvir ao menos o trinco da porta a se abrir, corria jardas ao meu encontro para que eu lhe saudasse com meu bom dia. E punha suas patas em minhas pernas, para receber o afago amigo matinal. Não dormia enquanto não via minha chegada pelo portão, corria ao meu encontro com os olhinhos já pesados pela peleja do dia, afinal latir não é para todos.
      Em se tratando exatamente disso, o latir, é que conflitávamos. Guinho passava o dia a latir para qualquer movimento suspeito, seja ele o voar de uma borboleta ou passar de um lixeiro. Irritava-me a dedicação com que ele se punha para tal. Só meus berros o faziam cessar, e amedrontado, corria para sua casa, ou estendia seu olhar de penitência pra mim. Conseguia cortar-me o peito, e então ao meu chamado, ele respondia prontamente correndo ao meu encontro com seus pelos balançando ao vento, a língua para fora, pronta para lamber, e com o corpo já ensaiando seu bailar circense. Mantínhamos, assim, uma relação amável de dois seres que, humano e cão respectivamente, se entendiam como poucos.
     Contudo, a fatídica treva sempre nos espreita, e quis o destino que ela viesse como na maioria das vezes: sem espera. Adoeceu-se o animal e por mais que fizéssemos, não houve o que ser feito. Começou com um andar sôfrego e ferimentos pelo corpo. Enxergava apenas impressões da realidade, não comia, e só nos atendia abanando o rabicó reconhecendo nossas vozes. Certo dia, nos auges de suas dores, não mais andou. Deitou-se e permaneceu dias agonizando sua doçura. Esperando o esperado, resolvi despedir-me. Aproximei-me dele, fiz afago, todavia não me reconheceu. Porém, ao deitar ao seu lado, trazendo a cabeça perto da sua, e olhando no fundo dos seus olhos é que ele reagiu. Abanou a calda, balançou o corpo, executando para mim sua última dança, aquela que me fez rir por muitos anos. E deixou desprender uma lágrima, fitando-me, dizendo algo que nenhum ser jamais me disse, dando adeus e agradecendo-me a amizade.
Pouco mais de meia década após os choros noturnos de sua chegada, Guinho despedia-se brevemente com uma gota lacrimal ao fitar profundamente no mais recôndito âmago de seu dono. Cerrou seus olhos não como quem fecha uma porta, mas quem diz até breve, onde continuaremos nossa afeição, simpatia, benevolência, bem-fazer, dedicação e afeto construídos a base de uma sólida amizade.
     Aqui sentado, hoje me fica a imagem dele correndo pelo jardim, dos pelos a balançar, do olhar acabrunhado, de sua irreverente dança, e do seu companheirismo eterno. O tapete está vazio, mas é como se ele estivesse ali, deitado, com as patas lançadas a frente, inundado em seus próprios pensamentos, absorto em sua existência.

03 abril, 2011

ARCHIMEDE - Rock Francês (Rock Français)







       Enquanto professor, sempre busquei alguma novidade do mundo francófono para levar aos alunos, sobretudo na parte cultural. Muitos deles já tinham se cansado com as grandes referências do passado como Charles Aznavour e Edith Piaf, queriam coisas novas. Encontrei muita coisa, mas nem sempre com uma boa qualidade. Enfim, encontrei algo que realmente me agradou, a banda francesa Archimède da região Pays de la Loire. Com uma roupagem pop, eles resgatam alguns elementos de rock do passado, mas com um ar bem francês, e até exagerado, visto que há uma dificuldade exacerbada em compreender algumas de suas canções devido ao número muito grande de linguagem familiar, regional e gírias urbanas.
        Fiz uma tentativa de tradução de uma música que gostei muito deles chamada "Vilaine Canaille". O vídeo é sensacional, sendo feito com capas de disco de vinil de grandes nomes da música do passado. Posto o vídeo e também a letra da música com a tradução. Espero que gostem!



ARCHIMÈDE – VILAINE CANAILLE

Ton groupe de rock a la cote
On applaudit des dix doigts
Ton attitude à la noix
Gare aux ampoules

Tu prends des poses affectées 
Dans des gares désaffectées
Même tes vieux s'en effraient
Gare aux embrouilles

Et pourtant
Tes foulards tu les chipes à maman
Ton cuir et tes bottes
C'est ton père qui les portait dans le temps
Quant au futal
C'est ta p'tite qui l'avait reper' aux Halles
Avant toi 

Vilaine canaille
Rend lui son slim
C'est pas ta taille
Déjà qu'elle est jalouse
Des clins d'œil que tu distribues aux fans
Quand tu roucoules
Le Tout-Paris se pâme devant toi
Tu lui fais la moue
Lui te le rend sur les couv' de ton choix
C'est une affaire entendue
Quand bien même on n'entend plus
Ton album

Quand tu vas jouer dans la Meuse
En
Mayenne ou dans la Creuse
Tu
donnes du rêve aux vicieuses
Gare à la ch'touille

Puis vient le jour redouté
Carrément précipité
Où tu t'avères démodé
Gare à la rouille

Et pourtant
Ta carrière tu la rêvais dans le temps
Et sur la comète
C'est peu dire que tu tirais des plans
Foin des UV
Dans l'immédiat
Garçon tu t'fais porter pâle
Dans les medias

Vilaine canaille
Tu rends ton tablier
Sa taille était large aux contours
En tout cas beaucoup trop pour tes galas
Même si tu boudes
Le Tout-Paris
Ne peut plus rien pour toi
Voilà qu'il adoube 
Les nouveaux arrivés du Gotha
Il va sans dire que je m'inclus
Dans l'épopée des cocus
De la gloriole









VILÃ CANALHA

Tua banda de rock famosa
Aplaudem verdadeiramente
Tua atitude sem valor
Atenção às bolhas

Você tem poses pretensiosas
Em estações abandonadas
Mesmo tuas velharias te assustam
Atenção aos embaraços

E, no entanto
Teu cachecol você pega da sua mãe
Teu couro e tuas botas
É teu pai que usava no passado
Quanto às calças
É tua pequena que tinha visto nos Halles
Antes de você

Vilã canalha
Devolva pra ele sua magreza
Não é o teu tamanho
Já que ela é ciumenta
Piscadas que você distribui aos fãs
Quando você arrulha
Toda Paris se pasma frente a você
Você lhe faz bico
Ele te devolve sob as ardências de tua escolha
É um negócio inteligente
Quando mesmo assim não se escuta mais
Teu álbum

Quando você vai tocar na Meuse
Em Mayenne ou na Creuse
Você dá sonhos às viciadas
Atenção à gonorréia

Depois vem o temido dia
Realmente precipitado
No qual você se mostra démodé
Cuidado com a ferrugem

E no entanto
Tua carreira, você sonhava com ela no passado
E sobre o cometa
É pouco dizer que você fazia planos
Forragem dos UVs
Imediatamente
Cara você se faz de doente
Na mídia

Vilã canalha
Você devolve teu avental
Seu tamanho era largo nos contornos
Em todo caso muito mais por tuas galas
Mesmo si você se amua
Toda Paris
Não pode nada mais por você
Eis que ele se arma
Às novas chegadas do Gotha
Nem é preciso dizer que me incluo
Na epopéia dos cornos
Da vanglória