10 dezembro, 2011

LANÇAMENTO DE ANACRONISMO MODERNO

Fotos da ocasião do lançamento do meu livro Anacronismo Moderno no Motor Democrático Bar.













06 dezembro, 2011

ARTE PELAS FENDAS DO CONCRETO






ARTE PELAS FENDAS DO CONCRETO


         Há momentos em que, cansado de certos comportamentos que estão se cristalizando nos maringaenses, sinto-me tentado e deixar essa terra que apesar de fértil para plantação é dura com seus filhos. Ainda mais vindo de uma curtíssima temporada em São Paulo por cuja atividade cultural fiquei inebriado no mês passado. As imagens dos teatros, das livrarias, das feiras, dos músicos de rua, dos museus ainda ecoam em mim. Contudo, tenho certos momentos de fé, talvez cega, de que algo ainda pode ser feito (utópico?). Esse alento foi uma ideia que nasceu entre os amigos do mestrado e que me retornou à mente quando eu lançava meu livro. Ali havia vários escritores e então decidi reuni-los convidando outros tantos que eu sequer conhecia pessoalmente para o primeiro Mutirão Artístico Maringaense, ocorrido no último final de semana.

Contando somente com a divulgação via internet, com uma matéria no O Diário e o apoio do Motor Democrático Bar, o evento aconteceu e chegou à população. Além do já conhecido talento de Fábio Fernandes, Hygor Zorak, Thays Pretti, Alexandre Gaioto, André Simões e Marco Hruschka, conheci grandes potenciais literários em Marcele Aires, Márcio Domenes, Cléia Garcia e Ariana Zahdi. Tive o prazer de conhecer e ser presenteado por Molinari, bem como de ver exposto o belo trabalho fotográfico de Ana Carolina Justi e de sua amiga Bárbara Neves, simpática e talentosa. Aline Luz, apesar dos problemas técnicos ainda encantou algumas mesas soltando a voz com seu violão ao colo, e Roberta Stubs expôs sua arte experimental e muito interessante no final da noite. Um primeiro passo foi dado, tirando a arte do campus universitário (o que incomodava muita gente) e das mãos da prefeitura da cidade (o que me incomodava muito). A arte é feita por todos e para todos, não pode ficar restrita a um certo lugar nem ser gerida pelas mãos das mesmas pessoas.


         Há ainda muito que fazer para que a maior parte da população da cidade se acostume com a arte e deixe os “juscelinos” um pouco de lado. O provincianismo ainda impera fazendo vizinhança com a alta qualidade de vida e poder financeiro da cidade. A arte é revolucionária, realmente vem de baixo na maioria dos casos. Maringá é uma cidade nova, sem cultura, condição aliada a pessoas que querem manter o status quo vigente. Fica fácil fazer o óbvio, difícil é inverter as peças. Mas ainda creio, creio por aqueles que ali estiveram e me fizeram ter um certo alento em um mar de ignorância desejada e do coronelismo maringaense. Parabéns a todos os artistas. Ainda acredito que a arte possa ser uma ferramenta de transformação social.


Fotografias por Márcio Domenes

16 outubro, 2011

LANÇAMENTO DE ANACRONISMO MODERNO


Fico muitíssimo contente em anunciar o lançamento do meu primeiro livro, intitulado Anacronismo Moderno que sairá pela Editora Scortecci. Com o prefácio da pós-doutora em literatura Marisa Corrêa Silva, orelha do jornalista e letrado Alexandre Gaioto e foto de Mari Ferrari. O lançamento será no dia 02 de novembro de 2011 às 16 horas no Motor Democrático Bar em Maringá, localizado na rua Paranaguá, 78. Quero vê-los lá no lançamento, conversar e tomar uma cerveja. O valor do exemplar é de 20 reais! Conto com a divulgação de vocês!


Abraços literários de Luigi Ricciardi

19 junho, 2011

NÁUSEA




NÁUSEA
Luigi Ricciardi 

            Aos cinco anos descobri a finitude das coisas. Quando entendi, diante da TV, que a novela acabara, única visão de mundo belo que tinha, que nunca mais aquelas cenas que tinha visto iam voltar, a angústia tomou conta do meu pequeno peito, e como só isso sabia fazer, chorei! Aos sete, sob a ducha, lembrando das aulas de geografia, tive tonturas e desmaiei ao tentar imaginar o tamanho do universo. Meu pai me disse no dia seguinte que no ano um os deuses tinham chegado na terra, e que a partir dessa data eles haviam criado tudo o que existe. E tive enjôos tentando desvendar o mistério de quem tinha criado os deuses.
            Reconstruí-me, simbolizando-me para tentar viver. Mas descobri que a sobrevivência é a morte. A finitude é a morte da existência. Algo morreu para que eu não morra: uma planta ou uma vitela para meu jantar. Nada mudou. No começo, ao sair das ocas, algum tigre nos esperava, ou mesmo uma aranha sobre a grama alta. Hoje, uma desatenção e se tem um corpo atropelado na esquina, ou uma bala atravessando a janela. Só o predador é que mudou.
            O amor também é a morte, a morte de si. O não-amor também, do outro. O sexo é a morte da inocência. O não sexo, a do prazer. Ter filhos mata a individualidade. Não tê-los é a morte da continuidade. Manter-se acordado à noite é a morte do sono. Dormir é assassinar a libido. Os toques tilintares e pontiagudos do tempo gritam por pressa. Empurram-nos ao concreto, pressionam nosso pescoço e com os dentes encarnados sorriem diabolicamente gritando morte. Os meus ídolos, todos jovens nos vídeos que vejo ininterruptamente nesta imensa tela, se já não estão mortos, estão a caminho quase completo.  Todos eles foram empurrados à parede e viram a mesma ironia capetística do tempo.
            Ninguém pode ser eterno e isso me agride. Tudo é construído e derrubado com um sopro. Incomoda a verdade nua contra a qual se luta e da qual nos escondemos. E se fantasiam parques para esquecê-la. Menos horrenda é em nossos pensamentos se há um colo quente. Mas o colo quente esfriará um dia na tumba. E contradição inerte: idéia de morte agride, idéia de existência ataca. Não deram cartilha, não me perguntaram se eu queria ingresso para esta festa pobre que armaram pra me convencer. Nem sequer me disseram que haveria gosto de fel, não me ofereceram cigarros. Eterna insatisfação de estar vivo, eterno desejo de viver eterno, se hoje riem as rosas de um jardim florido, amanhã as dores nos avisam o instante funéreo.
            A juventude, tão tenra ontem nos jogares de futebol, no despertar dos pubianos, hoje divide espaço com um adultismo infantil neste corpo que já começa a não responder a certos desafios como outrora. Os estudos extorquem todo o feixe de tempo que resta do trabalho. As bebidas disfarçam os penosos pensamentos direcionados à fatalidade do fracasso. Os anos sessenta se foram há duas horas.
Escondo-me, disfarço-me ou reinvento-me? Se eu fosse eu todo o tempo, mandar-me-ia à cadeia. Se o Eu, conjunto de todos os outros Eus que vivem em mim, estivesse nu, rangeriam dentes, cairiam queixos, olhos seriam tapados. O nu do meu Eu escandaliza, choca, contudo não causa tanto impacto nos outros quanto causa a mim mesmo. Meu Eu me machuca, fere-me, mata-me. E só por isso me ressimbolizo e me construo o tempo todo. A realidade nunca é o real. A realidade é o real disfarçado.
Ando caminhos. Ruas sem vida, ao centro. Ruas que vão, mas não levam ninguém a nada. Sua simples existência é nada mais do que uma criação. O mundo é uma criação? (Dúbio). Ao menos sabemos que é fugaz. A existência é fugaz. Foi-se, e não se sabe que se existiu. A última janela acesa daquele prédio acaba de fenecer, lembro-me da vida, que fenece ao sopro do coração, ao apertar de um botão, ao piscar dos sentidos. Daqui não se vê, julga-se que, pela hora avançada, apenas alguém de olhos cansados resolveu tentar esvair-se das dores de estar só, e foi deitar. Se calhar, no meio do sono, acredita que deve alongar-se mais, e, então, estenda-se a um sono eterno, como aquele mendigo ali, enrolado no papelão. Vive com refeição de anteontem. Ele, de fato, não existe. Afinal, o que é a existência senão um pedaço de pão?
E tal como um velho que mastiga seu dia-a-dia, arrastando-me objeticamente sob a chuva fria, com dentes podres e alma flácida, vejo na poça um reflexo ácido. Mas, sábio Pessoa, a metafísica talvez seja só mal humor. Uma cadela a atravessar a rua pode mudar o rumo das reflexões, o rabo que se põe a balançar perdoando o pecado de se ter criado o mundo. Um afago rápido e gratuito e logo após um adeus. Os cães são verdadeiramente animais divinos, mesmo que os divinos não existam.
            Mas o vento balança os galhos freneticamente, sobretudo aqueles sem folhas. Vai a cadela a atravessar novamente a rua: buzinas e freadas. Frágeis ossos de doçura não resistirão à dureza humana. O grito ecoa nos ouvidos e essa imagem me perpetuará. Ao seu dono, se é que ela o tem, dirão, pegue outra. Vã conclusão de motor. O existir é singularmente único, não se repete em dois seres sequer uma vírgula. E me vejo em Vidas Secas, aquela cadela na verdade foi morta por mim, é Baleia agonizando. O mundo, no fundo, é feito de senãos! Eu hei de ter criado esse mundo. E uma chuva cinza e espessa castiga meu ateneu. 

21 abril, 2011

LIVRO DE CONTOS - SUGESTÕES PARA O TÍTULO



Ainda neste ano de 2011, independentemente é claro (a não ser que algum de vocês, leitores, possa me indicar a alguma grande editora hauaha), publicarei o meu livro de contos. Nele estarão boa parte dos contos que já foram postados aqui e no blog e talvez uma dezena a mais que ainda estão inéditos. Como as leituras dos meus textos até o presente momento se deram em quase cem por cento dos casos via internet, é justo que eu compartilhe com aqueles que visitam meu blog o direito de dar um título à obra. O livro já teve inúmeros títulos, ora um agradando mais, ora outro. Abaixo coloco alguns dentre aqueles que passaram pelas meus pensamentos. Se vocês tiverem alguma sugestão que não está na lista, por favor, escreva um comentário dando a sugestão. Se aceitar uma dessas minhas sugestões, escrevam também nos comentários, por favor. O título escolhido e a data do lançamento do livro eu divulgarei, certamente, aqui no blog.
Obrigado desde já!




Entre Hiatos e Dias Comuns

Sensações

Nestes tempos...

Ausência

Avalanches Urbanas

Urbe Líquida

12 abril, 2011

GUINHO

               Eis um conto antigo, um pouco diferente do jeito que escrevo hoje. Andei relendo textos antigos e encontrei esse. Não quis fazer alterações, embora acredite que eu tenha amadurecido um pouco minha escrita desde então, ou não. Talvez tenha simplesmente seguido por outra direção, abandonado certos conceitos adquirido outros e esquecido alguns que ainda estão preso por um cordão. Enfim, pela suavidade e beleza que me toca quando eu leio ( pois o texto é deveras real), é que resolvi colocá-lo novamente no blog para análises, opiniões, críticas e comentários dos meus amigos que por aqui lembram ou gostam de passar. Boa leitura nessa chuva fina!




GUINHO
Com olhos amedrontados e com coração descompassado é que Guinho chegou a minha casa em um triste e chuvoso domingo. Desamparado e renegado pela antiga tutora, eu o trouxe para casa por pena e incerteza de seu destino. Por conta do frio que castigava nossas paisagens, Guinho veio envolto em pedaços de pano que o semi-protegiam da baixa temperatura. Era farto de pelo, de raça não tão nobre, tinha olhos dourados e tremia congelado. Chegou com a aprovação de todos da casa, mas se viu naufragado em uma praia estrangeira.
     Passou as primeiras noites sobre o tapete de meu quarto, e só adormecia após muito lhe afagar os pelos revoltosos da cabeça, e a dirigir-lhe as palavras por alguns minutos a ninar-lhe. Com o passar dos dias, passou a me reconhecer, a abanar o rabo quando lhe trazia seus quitutes. E, ligeiro, foi reconhecendo o novo lar, os cheiros, inclusive as vozes carinhosas que lhe eram dirigidas. Em uma casa já dominada por outros cães, Guinho passou a ser o centro de todas as atenções, e todos só sabiam agradá-lo e a dirigir-lhe palavras doces. Adquirindo confiança em seu novo habitat, fez suas necessidades sobre um colchão, e aí já imaginas, teve de ser educado, afinal, já se punha em tempo. Chorou muito ao passar a prima noite do outro lado da porta, mas se habituou às intempéries com brevidade. Ao primeiro raiar do sol, tomou contato com os donos do espaço. Os outros cães, no início, desviavam-lhe olhares de desconfiança, enviesados e cismados, mas logo se puseram a diversão, tomando como novo amigo o recém-chegado. Dino era afável como o sol de junho; e Rex, apesar da dureza rochosa ao primeiro contato, era feito trapezista e vivia com gracejos o dia todo. Portanto, não teve Guinho problemas grandes de adaptação, príncipe na nova terra.
     Nem tanto, de início. Existiam outros moradores, os taciturnos do local: os felinos. Os outros já estavam acostumados com os gatos, e esses com aqueles também, então viviam em um espaço igualitário sem se incomodarem. Guinho com toda a sua simpatia, quando viu o primeiro, ignorou os instintos rivais inertes em si, e avançou para brincar com o mesmo. Foi sovado e levado à lona em pouco tempo, e correu uivando de dores se escondendo no primeiro canto escuro que viu. O Encontrei-o com olhar acabrunhado a resmungar sons como uma criança que cai da bicicleta na primeira tentativa. Agachei-me e sussurrei doçuras aos seus ouvidos, ao qual me retribuiu com uma boa lambidela na boca. Feliz ficou, e retomou seu caminho e foi-se deitar.
     Guinho era um levípede nato, aparecia quando menos se esperava, por detrás da porta ou por debaixo do assento, precipitando-se a nos lamber os calcanhares. Mas dessas súbitas aparições ele vinha principalmente para nos chamar a atenção com uma característica que ficou marcada para sempre. Precipitava o corpo para os dois lados, a parte da frente para a esquerda, e a de trás para direita, e vice versa. Nesse jogar de cintura, nasceu uma dança engraçada, marca registrada de sua existência. Outra característica divertida de Guinho aparecia quando assoprávamos seu focinho. Ele punha a cara no chão e tentava tirar com as patas dianteiras o vento por nós soprado. Poderia passar horas fazendo isso e ele continuava a agir da mesma forma, o que levava todos às gargalhadas.
Como todas as crianças ele veio a crescer, entretanto não menos traquinas. Fazia suas necessidades em qualquer lugar, sem se importar com o estrago: plantas, paredes, portas, mesas e onde mais lhe desse a telha. Apanhava, mas não aprendia, quem entenderá os cães, não?
Triste foi em uma manhã o adeus silencioso de Dino bem como a tarde dantesca em que Rex se foi por baixo de uma roda de ônibus. Guinho então, se viu sozinho, sem seus parceiros de festas diárias. Entristeceu-se, procurava os amigos quando, brincando, chamávamos seus nomes.
Porém, o calor humano não deixou que seu coração permanecesse na fria e úmida passagem do sofrimento, ou foi ele que não deixou que nossos corações se esfriassem? Seja qual, Guinho se tornou verdadeiramente um membro, uma ramificação animalesca da família. Se bem que nem tão animal assim, mesmo sendo cão ele parecia entender com um olhar o que se passava internamente conosco. Eu, apenas eu, cheguei a essa conclusão, aproximei-me de tal forma ao canicho, que a relação já me semelhava uma irmandade. Vinha ele sempre com seu dançar sambólico, com seu olhar doce e benévolo, procurando carícias e dando conforto. Quanto tristonho eu estava, Guinho aparecia repentinamente e me fazia rir com seu jeito desastroso de andar. Se não me despertava risos, compreendia o meu mau humor ou meu pensamento longínquo, então se aconchegava no tapete e ficava absorto nos seus próprios pensamentos.
       Diariamente, ao ouvir minha voz pela manhã, ou ao ouvir ao menos o trinco da porta a se abrir, corria jardas ao meu encontro para que eu lhe saudasse com meu bom dia. E punha suas patas em minhas pernas, para receber o afago amigo matinal. Não dormia enquanto não via minha chegada pelo portão, corria ao meu encontro com os olhinhos já pesados pela peleja do dia, afinal latir não é para todos.
      Em se tratando exatamente disso, o latir, é que conflitávamos. Guinho passava o dia a latir para qualquer movimento suspeito, seja ele o voar de uma borboleta ou passar de um lixeiro. Irritava-me a dedicação com que ele se punha para tal. Só meus berros o faziam cessar, e amedrontado, corria para sua casa, ou estendia seu olhar de penitência pra mim. Conseguia cortar-me o peito, e então ao meu chamado, ele respondia prontamente correndo ao meu encontro com seus pelos balançando ao vento, a língua para fora, pronta para lamber, e com o corpo já ensaiando seu bailar circense. Mantínhamos, assim, uma relação amável de dois seres que, humano e cão respectivamente, se entendiam como poucos.
     Contudo, a fatídica treva sempre nos espreita, e quis o destino que ela viesse como na maioria das vezes: sem espera. Adoeceu-se o animal e por mais que fizéssemos, não houve o que ser feito. Começou com um andar sôfrego e ferimentos pelo corpo. Enxergava apenas impressões da realidade, não comia, e só nos atendia abanando o rabicó reconhecendo nossas vozes. Certo dia, nos auges de suas dores, não mais andou. Deitou-se e permaneceu dias agonizando sua doçura. Esperando o esperado, resolvi despedir-me. Aproximei-me dele, fiz afago, todavia não me reconheceu. Porém, ao deitar ao seu lado, trazendo a cabeça perto da sua, e olhando no fundo dos seus olhos é que ele reagiu. Abanou a calda, balançou o corpo, executando para mim sua última dança, aquela que me fez rir por muitos anos. E deixou desprender uma lágrima, fitando-me, dizendo algo que nenhum ser jamais me disse, dando adeus e agradecendo-me a amizade.
Pouco mais de meia década após os choros noturnos de sua chegada, Guinho despedia-se brevemente com uma gota lacrimal ao fitar profundamente no mais recôndito âmago de seu dono. Cerrou seus olhos não como quem fecha uma porta, mas quem diz até breve, onde continuaremos nossa afeição, simpatia, benevolência, bem-fazer, dedicação e afeto construídos a base de uma sólida amizade.
     Aqui sentado, hoje me fica a imagem dele correndo pelo jardim, dos pelos a balançar, do olhar acabrunhado, de sua irreverente dança, e do seu companheirismo eterno. O tapete está vazio, mas é como se ele estivesse ali, deitado, com as patas lançadas a frente, inundado em seus próprios pensamentos, absorto em sua existência.

03 abril, 2011

ARCHIMEDE - Rock Francês (Rock Français)







       Enquanto professor, sempre busquei alguma novidade do mundo francófono para levar aos alunos, sobretudo na parte cultural. Muitos deles já tinham se cansado com as grandes referências do passado como Charles Aznavour e Edith Piaf, queriam coisas novas. Encontrei muita coisa, mas nem sempre com uma boa qualidade. Enfim, encontrei algo que realmente me agradou, a banda francesa Archimède da região Pays de la Loire. Com uma roupagem pop, eles resgatam alguns elementos de rock do passado, mas com um ar bem francês, e até exagerado, visto que há uma dificuldade exacerbada em compreender algumas de suas canções devido ao número muito grande de linguagem familiar, regional e gírias urbanas.
        Fiz uma tentativa de tradução de uma música que gostei muito deles chamada "Vilaine Canaille". O vídeo é sensacional, sendo feito com capas de disco de vinil de grandes nomes da música do passado. Posto o vídeo e também a letra da música com a tradução. Espero que gostem!



ARCHIMÈDE – VILAINE CANAILLE

Ton groupe de rock a la cote
On applaudit des dix doigts
Ton attitude à la noix
Gare aux ampoules

Tu prends des poses affectées 
Dans des gares désaffectées
Même tes vieux s'en effraient
Gare aux embrouilles

Et pourtant
Tes foulards tu les chipes à maman
Ton cuir et tes bottes
C'est ton père qui les portait dans le temps
Quant au futal
C'est ta p'tite qui l'avait reper' aux Halles
Avant toi 

Vilaine canaille
Rend lui son slim
C'est pas ta taille
Déjà qu'elle est jalouse
Des clins d'œil que tu distribues aux fans
Quand tu roucoules
Le Tout-Paris se pâme devant toi
Tu lui fais la moue
Lui te le rend sur les couv' de ton choix
C'est une affaire entendue
Quand bien même on n'entend plus
Ton album

Quand tu vas jouer dans la Meuse
En
Mayenne ou dans la Creuse
Tu
donnes du rêve aux vicieuses
Gare à la ch'touille

Puis vient le jour redouté
Carrément précipité
Où tu t'avères démodé
Gare à la rouille

Et pourtant
Ta carrière tu la rêvais dans le temps
Et sur la comète
C'est peu dire que tu tirais des plans
Foin des UV
Dans l'immédiat
Garçon tu t'fais porter pâle
Dans les medias

Vilaine canaille
Tu rends ton tablier
Sa taille était large aux contours
En tout cas beaucoup trop pour tes galas
Même si tu boudes
Le Tout-Paris
Ne peut plus rien pour toi
Voilà qu'il adoube 
Les nouveaux arrivés du Gotha
Il va sans dire que je m'inclus
Dans l'épopée des cocus
De la gloriole









VILÃ CANALHA

Tua banda de rock famosa
Aplaudem verdadeiramente
Tua atitude sem valor
Atenção às bolhas

Você tem poses pretensiosas
Em estações abandonadas
Mesmo tuas velharias te assustam
Atenção aos embaraços

E, no entanto
Teu cachecol você pega da sua mãe
Teu couro e tuas botas
É teu pai que usava no passado
Quanto às calças
É tua pequena que tinha visto nos Halles
Antes de você

Vilã canalha
Devolva pra ele sua magreza
Não é o teu tamanho
Já que ela é ciumenta
Piscadas que você distribui aos fãs
Quando você arrulha
Toda Paris se pasma frente a você
Você lhe faz bico
Ele te devolve sob as ardências de tua escolha
É um negócio inteligente
Quando mesmo assim não se escuta mais
Teu álbum

Quando você vai tocar na Meuse
Em Mayenne ou na Creuse
Você dá sonhos às viciadas
Atenção à gonorréia

Depois vem o temido dia
Realmente precipitado
No qual você se mostra démodé
Cuidado com a ferrugem

E no entanto
Tua carreira, você sonhava com ela no passado
E sobre o cometa
É pouco dizer que você fazia planos
Forragem dos UVs
Imediatamente
Cara você se faz de doente
Na mídia

Vilã canalha
Você devolve teu avental
Seu tamanho era largo nos contornos
Em todo caso muito mais por tuas galas
Mesmo si você se amua
Toda Paris
Não pode nada mais por você
Eis que ele se arma
Às novas chegadas do Gotha
Nem é preciso dizer que me incluo
Na epopéia dos cornos
Da vanglória





15 fevereiro, 2011

TINTAS, QUADROS E ESQUADROS




TINTAS, QUADRO E ESQUADROS
Luigi Ricciardi 

            Nervosamente impelido pelo despertador de som pontiagudo, salta da cama, reles furtivo prazer de quem dedica horas a tudo, menos a si mesmo. Ducha, banho que lava? Banho que molha seu corpo de inconformismos. O abotoar dos botões da camisa já lhe anuncia a jornada que tem à frente, dia de cobranças e conversas nosense na mesa de trabalho. Não via sentido, não tinha sentido. Sentia tudo a engoli-lo, do alto a baixo daquela sala, os telefones clamando urgências, patrões clamando impossibilidades, clientes clamando qualidades.
            Sentido só via nas tintas, misturadas e elaboradas pelos sentidos. As tintas têm espaço mesmo na modernidade, quem partiu foi a tela tradicional, quem chegou foi a tela de computador. Tintas novas em impressões modernas. A folha outrora branca ganha um novo mundo. Ele tinha um mundo ou era branco como a folha? As tintas eram seu sonho colorido, o mundo dos sonhos era azul.
            Recarregava cartuchos, vazios de impressões. As tintas ao menos lhe pintavam as mãos, escorregavam pelos braços e coloriam o uniforme. Branco de pinceladas disformes, vermelho rubro do sangue da peleja, de suportar o dia a dia, vermelho de contas, amarelo de quase-fome de pai desempregado e mãe doente, opaco da rotina semanal.
            Nos intervalos se distraía vendo as cores da tela do computador. Sentava e pintava um quadro distante, sites de um mundo a se descortinar colorido, futuras aquarelas desejando serem pintadas. Desejou pintar a si próprio novamente, encontrou um link e viu o anúncio de um atelier de pintura, número de telefone para inscrição e valor. Teria que dobrar sua carga de trabalho para pagar. Ficou olhando para a tela, olhar perdido no sonho, as cores se misturando cada vez mais, mente construindo quadros de sonhos. Em algum lugar da empresa, o telefone tocava.
            Trabalhou incessantemente, cursou desejosamente sua aventura. Matriculou-se no curso, estudava em casa, na humilde tela que comprara, durante a madrugada. Negro colorido de pinceladas celestes. Aprendeu devagar, combinações bem treinadas, protagonistas cores de exposições vindouras. E o fez! Primeiro a opinião crítica da cidade elogiou, vendeu seus quadros um a um, produziu mais, expôs em várias cidades do país, virou referência da arte contemporânea. Pinceladas da vida!
            Tirou férias, viajou e contemplou pinturas de deus, paisagens de um mundo caótico no conteúdo, mas perfeito na forma. Desejou voltar, alugou uma casa para pintar, tinha uma cama, uma simples cozinha e telas e tinhas por todos os cômodos. Foi pintar, mas notou algo estranho nas cores: ele só possuía um branco-sem-sensações, um amarelo-fome e um vermelho-sangue. Conferiu no estoque, só tinham mesmo lhe entregado essas cores. Tentou ligar para o fornecedor, o telefone estava mudo. Sentou na frente do computador para ler suas mensagens. Uma solicitação de conversa, ele aceitou. Alguém lhe diz:
- Bom dia, ficaram boas as impressões com as novas tintas? Ele não entende e se desculpa dizendo que havia um engano.
- Você não trabalha com cartuchos?
- Não, há muito tempo não trabalho com isso, sou pintor.
- Mas você não é o Lucas? Ele assentiu que sim.
- Pois eu falei com seu patrão hoje mesmo, ele me disse que você estava na mesa do computador ao lado do telefone!
De repente ele olhou para o lado, no início meio embaçado, mas aos poucos foi tomando contornos mais nítidos e então ele viu a mesa de carvalho envelhecido, o computador à sua frente, a página da internet aberta mostrando o curso de pintura, as mãos sujas de tinta. E o escritório estava plenamente ali. Em algum lugar da empresa, o telefone tocava.

14 fevereiro, 2011

LITTÉRATURE QUÉBÉCOISE - LA CHASSE GALÉRIE


LA CHASSE GALÉRIE

A "Chasse Galérie" é uma história presente em várias culturas mas que ficou muito famosa na Literatura Quebequense com a publicação do livro "La Chasse Galérie" por Honoré Beaugrand no início do século XX. É um conjunto de contos cuja narrativa mais famosa é aquela que dá o nome ao livro. Trata-se de uma história de alguns madeireiros que fazem um pacto com o diabo afim de fazer uma canoa voar para que eles pudessem visitar suas mulheres, devendo, entretanto, evitar cometer blasfêmeas durante a travessia e devendo voltar antes das seis horas da manhã do dia seguinte. Caso contrário: eles perderiam suas almas.
Este livro terá sua primeira edição em português neste ano de 2011, em um projeto de tradução liderado pelo professor Ricardo Antônio Soler da UEM, e tendo como colaboradores Luís Cláudio Ferreira Silva, Rogério Francisco da Silva e Marco Antônio Hruschka Teles. Quem quiser conferir este conto e os outros que integram o livro acesse o link abaixo (em francês) no wikisource. Boa leitura!




http://fr.wikisource.org/wiki/La_Chasse-galerie

13 fevereiro, 2011

CINEMA - IRREVERSÍVEL

           A sétima arte é talvez hoje uma das artes de maior alcance. Chega às pessoas com facilidade por meio da mídia televisiva e internet. Contudo, muitos filmes que exploram os limites do pensamento e da própria arte não chegam até a maior parte das pessoas. Gostaria de compartilhar, aqui no blog a partir de hoje, uma série de comentários de filmes que julgo interessantes. Fiquem à vontade para quaisquer comentários. Abraços!


IRREVERSÍVEL 
de Gaspar Noé


            O melhor filme francês que já vi, ao menos é o mais forte e intenso. Irreversível é uma história contada de trás para frente, com algumas cenas violentas e angustiantes, que nos coloca uma questão: o que na verdade é irreversível?
           Os créditos aparecem no início (apesar de não ser novidade por já ter sido utilizado dois anos antes em Amnésia), mostrando que o filme pode ter alguma coisa de diferente. E realmente, começa pelo fim. O seu início-fim é uma cena com dois senhores conversando sobre a vida. Um deles diz “O tempo destrói tudo”, e então começam a filosofar sobre o comportamento dos seres humanos. Logo ouvimos sirenes e gritos, vem de um reduto gay que fica próximo ao lugar onde os dois homens conversam.
            Marcus (Vincent Cassel) e Pierre (Albert Dupontel) estão no tal reduto gay, procurando um homem conhecido como TNA. Agem com certa violência com os freqüentadores do local, parecem estar descontrolados e desesperados para encontrar o tal homem. As cenas nesse reduto são agressivas. Primeiro pelas cenas de sexo sadomasoquistas, que, se não são explícitas, são quase isso, com pessoas transando e se masturbando. Marcus e Pierre se desentendem com outros dois homens, causando uma das cenas mais violentas do filme: o espancamento até à morte de um dos homens por um outro que batia nele com um extintor de incêndio. Outra cena que surpreende pela sua crueza é o estupro e o espancamento de uma mulher em um túnel da cidade.
A fotografia prima pelo escuro, com cenas à meia-luz, em sua maioria. Mas um dos pontos mais interessantes do filme é o movimento da câmera, que nunca é estanque. Vai e vem, balança o tempo todo, praticamente gira 180 graus, como se, ironicamente, quisesse reverter alguma coisa. Na cena da briga no reduto gay, ela chega a ser nauseante, ajudada pelo psicodelismo da trilha sonora, que dá uma sensação de um efeito provocado por uma droga ou álcool. Afinal, a vida em si não seria uma droga consumida diariamente e que nos leva ao fim, irremediavelmente, irreversivelmente? É o que chegamos a pensar quando vemos a sucessão de cenas e de acontecimentos. Há coisas que nos são irreversíveis, principalmente nossos atos. 
          O filme só não é perfeito porque à medida que vai se descobrindo sua trama, principalmente depois de sua metade, a narrativa passa a se tornar um tanto quanto previsível e entediante (principalmente no diálogo dentro do metrô). Apesar de violento e forte, Irreversível não é um filme exagerado. É um filme que mostra a crueza da violência nos grandes centros, a fúria que há dentro dos seres humanos e a irreversibilidade das coisas e da vida. E a última frase do filme no seu fim-início, é justamente a primeira do seu início-fim: “O tempo destrói tudo”.


08 fevereiro, 2011

SEND ME AN ANGEL

Luigi Ricciardi

            A chuva fina cortava seus pensamentos como giletes cegas, torrencial chuva no deserto da estrada. Noite fria, abandono, nevoeiro a dificultar-lhe a direção, ambos os sentidos. Há dias dor de cabeça a lhe consumir a concentração. Sentia incômodos corpóreos sem saber exatamente de onde lhe vinham exatamente.
            Seguia, sem conhecer estrada, sem conhecer caminho, mapa desconhecido de uma mente em transe. Acelerava por curvas, desejando mudanças de trajetórias. Vivia? Vivera até ali? De fato, imagens construídas de algo distante do real, espaço simbolicamente cheio, realmente vazio. Apenas transposição de desejos, seu mundo foi criado pela insegurança.
            De repente, como se um novo dia recomeçasse, pequenos raios vindos do céu começaram a tocar o vidro do carro, esperança que sempre brota em noites de tempestade. E no clichezismo dessa frase, seu peito foi ficando vagaroso, menos pesado pelas fissuras vida, mornosamente esperançoso em algo novo a começar.
            Os raios ficando mais fortes, clarão outrora amigo agora afetando-lhe a visão. Força de um sol a parecer raivoso de sua existência. E em alguns segundos já não vê palmo frente ao rosto. Derrapagem solitária? Astro rei espectador do encontro de um carro às arvores.

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            Acordando de um pesadelo infindo, vê paredes brancas e um crucifixo, ambiente espectral de quase morte. Vasos de flores e uma cadeira vazia. Forçando a memória, o pesadelo lhe regressa à mente, o som da batida. Tenta se lembrar do antes; nada, como se jamais vivera. Aparelhos ao redor, monitorando batimentos, bips a encher a sala no seu deserto de madrugada adentro. Barulhos intensificados, as cores do aparelho mudando, verde a vermelho, funções vitais em perigo e ele sentado a observar seus últimos segundos. Quando a máquina identificou a falência, seu grito preenchia todos os espaços do hospital.

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            Transpirando medos às sete da manhã, atrasado uma vez mais. Correndo ao banho matinal, culpava o pesadelo que sempre lhe visitava à mesma hora há meses. Rotina estrutural há perseguir-lhe às pernas. Corria, mas pra onde corria? Sentia um desejo por algo que não conhecia, pela primeira vez desejava sem rumo. Desejo era conquista, sempre fora. Quis casar, casou, quis ter um filho, teve-o, comprou casa, automóvel, viajou. No momento do alcance o desprendimento acontecia, objeto já sem valor. As vezes lhe parecia que a corrida é que importava. Agora novamente o desejo sem saber para quem destinar. No almoço o estômago, à tarde o rim, à noite o coração, sentia-os trespassados, espada do tempo, assassina dos sonhos. Dormiu por remédios.

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            - Oi, sou eu. Você consegue me ouvir? Estou aqui sentada, venho novamente quando for preciso!

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            Sirenes a cortar-lhe os sentidos. Respire, respire. Não vá, mas ele queria ir. Desejava ir. Aquele brilho intenso a tocar o vidro, queria aquele brilho intenso.

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            Novo pesadelo? Satisfação em suspiro, não quis entender. Há tempos não se via livre daquele pesadelo, agora ao menos um diferente. Sentia que algo novo estava prestes a acontecer e saiu pro trabalho. Felicidade apaga a memória ou a ofusca? Saiu sem café nem banho, com meias trocadas. Sua mente agora a molestar via-láctea, mas o esquecimento veio fraco como o vento que antecede o tornado. Foi sacar dinheiro para comer e deixou na boca do caixa eletrônico, tirou a blusa quando entrou no café e deixou-a repousando sobre a mesa quando saiu. Deixou uma pasta na mesa do trabalho, quando voltou ela já não estava. No banho em casa começou a se enxugar e a toalha não estava em suas mãos. Inconsciente, universo sem fronteiras, mas que dialoga. Sonho ou neurose? Falta ou presença? Verdade ou criação? Tudo se perdia, Eolo de fugazes furtos a anunciar perdas inestimáveis.
            Saiu para comer. O motorista não parou o ônibus quando quis, nem reagiu aos seus gritos. Foi ao restaurante, o garçom não lhe atendeu. Perguntou as horas a um casal, que de apaixonado nem notou sua presença. Não entendia, ainda não entendia, mas era o momento da revelação. Sentiu um líquido quente na sua camisa, olhou para baixo, estava todo vermelho.

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            Respirando fundo, mesma sala branca de quase morte. Crucifixo brilhante quase a cegar-lhe. Silêncio que tão profundo lhe permitia ouvir o mexer de suas próprias entranhas. Náusea, náusea. Escutou passos no corredor. Os sons se aproximando, lentamente como numa marcha. Cada toque no chão doía-lhe o peito, calafrios a enrijecer-lhe a respiração. Contraditória humanidade: curioso, desejou saber quem era ou o que era.
            Aproximando, a sala foi tomada por um negrume fatal. As rosas murcharam ao lado da mesa, o aparelho ao qual estava ligado desligou-se, o crucifixo se apagou, o vento que entrava pela janela cessou. E o ranger da porta se abrindo trancou-lhe o respirar.
            E então, alva de seu mistério, ela entrou. Figura milenar, ultra-secular, na beleza de sua mocidade. Sentiu, apesar da aparência, o conhecimento de todos os séculos naqueles olhos cor de terra que lhe fitavam severa e amorosamente. Andava ou flutuava? Veio em sua direção como se marchasse ao som de uma corneta.
            Ao lado da cama, estendeu o braço e tocou-lhe o rosto, seda dos confins do universo de um passado mais velho que o próprio passado. Ela tocou-lhe de volta o rosto, mas seus dedos eram ásperos, como se não houvesse neles vida.
            - Quem é você?
            - Você sabe quem eu sou. Sou o clarão daquela estrada, sou a voz a sussurar-lhe, sou aquela que você sempre desejou, aquela que te completa, que leva embora as angústias, mas que termina com seus dias. Sou mais velha que o mundo, que a vida, sou mais velha que Deus.
            - Por que você é tão bela?
            - Sou tua criação, não tenho matéria, venho da forma que me você me imagina, da forma que você me deseja, da forma que você quer me ver. Então sou assim!
            Ele fez um movimento para fazer ainda uma pergunta, mas ela interrompeu-lhe colocando seus dedos em sua boca. Sabia o que ele perguntaria, e sabia dar-lhe a resposta: sim, já é tempo. E tocaram os lábios com um beijo. A luz renasceu no quarto, mas não nos objetos, e sim dentro dele, ficou cada vez mais forte até ofuscar toda a sala, e quando se apagou, ele estava de pé, olhando o seu corpo que jazia sobre a cama.
            Ela pegou-lhe pela mão e o conduziu à porta, ela se abriu, com uma escuridão do lado externo. Lá entraram, e então a porta se fechou.

30 janeiro, 2011

CULTURE CLUB MARINGÁ




              O Culture Club Maringá anuncia a sua estréia em fevereiro de 2011. O clube se faz do desejo de ter contato mais próximo com pessoas que apreciam a arte. Queremos tanto colaborar quanto aprender com aqueles que desejarem participar dos encontros e reuniões do grupo. 
             O Culture Club terá dois segmentos compartimentalizados: um sobre literatura chamado "Clube Literário Entrelinhas" e um sobre cinema "Sétima Arte Cine Clube".
           O Clube Literário Entrelinhas acontecerá mensalmente para a discussão de uma obra literária escolhida antecipadamente. O Sétima Arte Cine Clube acontecerá com mais frequência, o encontro será quinzenal e os participantes assistirão a um filme e depois farão a discussão.
                 Em breve postaremos as datas, os locais e os temas das obras que discutiremos. Qualquer dúvida ou sugestão entre em contato com os participantes do Culture Club Maringá:

Luigi Ricciardi (luismaringa@hotmail.com)
Fábio Fernandes (fabio_letras@ibest.com)
Cristiano Ribeiro (cristianopribeiro@gmail.com)
Vanessa Aline (ve_moa@hotmail.com)
Hygor Zorak (h_zorak@hotmail.com)